
Hoje foi o primeiro dos primeiros dias da vida do Pedro, o da creche.
No Domingo o meu bebé saltou uma sesta e deitou-se tarde, o que já vai sendo habitual ao fim-de-semana. O que também vinha sendo habitual era a compensação à Segunda-feira, com sestas profundas e longas. É que o meu filho dorme muito e bem, dorme quase doze horas à noite e duas sestas de duas horas cada, de dia. É verdade, é mesmo assim (fatprops, Tracy Hogg!). Com horário e tudo: às 8 acorda e toma o leitinho; às 10, sesta da manhã; lá pelo meio-dia acorda e almoça; às 14, sesta da tarde; pelas 16, acorda e lancha; às vezes ainda dormia uma sestinha de quase uma hora entre as 18 e 19; depois das 19, segue-se o banho, jantar e entre as 20:30, 21, caminha até o dia seguinte.
Mas hoje não houve sesta da manhã, porque era o primeiro dia de creche e lá, o horário é completamente diferente: acordados toda a manhã, almoço às 11, sesta longa a partir do meio-dia, lanche às 16. Que volta radical no horário do Pedro. O meu coração ficou apertado, o que ia ser das sestas tão boas do meu filho? Sempre que vejo o meu filho dormir penso nos seus pequenos neurónios a fazer milhares de ligações, no seu corpinho a crescer, nele a carregar baterias para a sua boa disposição. Eu sou a guardiã do sono do meu filho, defendo o seu direito ao descanso com unhas e dentes e fui deixá-lo na creche, a malvada que lhe vai virar a vida do avesso... Estava desolada. Mas ele tem de conviver com outros meninos, tem de ver coisas novas, tem de aprender e brincar e todas essas coisas que lhe fazem falta e que a nossa casa e a minha disponibilidade profissional já não permitiam. Creche será.
E lá fomos. Ele a observar tudo, muito curioso mas reservado. Ainda assim, não estranhou as educadoras e abraçou-se a elas, simpático, que o levaram para junto dos outros meninos, apenas seis. Tudo coisas boas. Mas eu só pensava no raio da sesta, cuja hora já estava próxima e cuja vinda já via nos olhitos dele. E chorei, feita parva, pedindo encarecidamente à educadora que o levasse para o bercinho dos bebés ao mínimo sinal de cansaço. Que sim, que não me preocupasse, que o iam fazer, que cada menino marca o ritmo e que estariam atentas aos seus sinais.
E lá o deixei, para voltar às onze, sendo o primeiro dia, não almoçaria, vinha mais cedo para casa.
Às onze, lá estava eu, expectante e ansiosa para saber como tinha corrido a manhã, mentalizada para encontrá-lo exausto e sem saber bem que lhe fazer ao chegarmos a casa - deitá-lo?, mantê-lo acordado? - dar-lhe o almoço e deitá-lo? Ele surgiu vindo de refeitório, todo contente, no colo da auxiliar, fiquei tão descansada por vê-lo assim! A educadora disse que o deitaram no catre, que o levaram para o bercinho na sala dos pequeninos, mas ele não queria saber da sesta para nada! Queria era brincar, levar tudo à boca, de vez em quando ficava mais perdido e pedia o abraço da auxiliar para dar ânimo, mas esteve estupendo. Que alívio, que aperto. Acabei por voltar sozinha, ele ficou a almoçar e segue para a sesta, vamos arriscar já hoje o dia todo.
Aqui estou, almoçando sozinha, torcendo para que o meu bebé esteja neste momento a entrar na segunda hora de sono. Torcendo. Esperando que este seja o primeiro dia de uma experiência maravilhosa, que ele goste da creche, das educadoras, dos coleguinhas, que se ajudem, que cresçam, que sejam amigos, que aprendam uns com os outros a passar bons momentos. Espero.
Depois das 16 vou poder abraçar o meu bebé e perguntar-lhe se gostou do primeiro dia da escolinha. Faltam duas horas.