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segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Do dormir

Quantas amigas ou famíliares se viam literalmente a braços com um pequeno grande problema: os seus filhos não dormiam sem que fosse nos seus colos. O que de início era amoroso e empowering, porque sim, dá uma satisfação enorme sentir que não há outro sítio no mundo onde o nosso filho durma tão bem como nos nossos braços, rapidamente tornava-se num pesadelo. Porque há que ocupar os braços com outras coisas e o bebé cresce, dobra, triplica o peso, perde o sono, ganha faculdades e elas cada vez se viam mais enredadas nesse ritual, nesse abraço que pesava cada vez mais. É um abraço que nasceu com o amor, mas que por amor tinha de acabar.
Porque eu não queria nada que isso nos acontecesse, fui (e continuo) o mais rigorosa possível. O Pedro quase nunca dormiu nos meus braços. Contam-se pelos dedos de uma mão as vezes que isso aconteceu e aconteceu apenas porque não tínhamos um berço por perto. Quem pensa que eu sou um monstro insensível, desengane-se, foi preciso alguma força de vontade e muito amor para o fazer. E quem pensa que tenho a mania de me arrogar um ser iluminado e superior, desengane-se, li e aprendi sobre isto no sítio do costume, tive uma epifania e adoptei como mantra "Não adormecerás o teu filho ao colo". É simples. Foi complicado. Ou seja, o que há a fazer é simples, chegar lá é difícil, mas uma vez lá chegada, e chega-se!, a vida torna-se mais simples e todos ficam contentes.
Desde o primeiro dia de vida, eu embalava o Pedro nos meus braços, mas assim que o via adormecer, o que nos primeiros dias era quase instantâneo, punha-o na caminha. Ele tinha de fechar os olhinhos pela última vez percebendo que estava no berço, que era lá que se adormecia, que era bom adormecer lá e que o sítio onde acordasse seria o mesmo onde tivesse adormecido. Claro que não me apetecia nada pousá-lo, deixar de o ter nos meus braços, não o ver a dormir no meu colo. Era só deixar-me estar, ele nem sequer pesava, eu estava lá só para ele... Mas tinha bastante presente que deixá-lo dormir no meu colo não só me iria sair caro no futuro, como seria egoísmo meu e prejudicial ao Pedro. Porque eu sou crescida, eu sou a adulta, eu sou a mãe, e podia ter a vista inebriada pela paixão pelo meu menino, mas ele era uma pequena pessoa acabada de nascer, que não sabia nada do que é isso de dormir sozinho. E nesta vida, se há coisa solitária, é dormir. Ninguém o pode fazer por nós. Eu tenho insónias desde pequena, eu valorizo muito o sono e o adormecer. E eu não podia fazer uma coisa destas ao meu filho. Não podia dar-lhe um colo quentinho, o meu cheirinho bom e depois pousá-lo na caminha lisa e fria, não seria justo! Pior, não podia dar-lhe a ideia de que dormir é no colinho bom da mãe e depois trocar-lhe as voltas e convencê-lo de que afinal não é suposto dormir-se assim, mas sim sozinho. Habituado ao bem bom, quem quer dormir sozinho?
Quem pensar que é exagero, desengane-se. Quem pensar que devemos aproveitar enquanto eles são mini mini para os adormecer nos braços, facilmente encontra outras formas e ocasiões para mimar o seu bebé e mimar-se a si mesma. Quem defender que o bebé quer, que o bebé gosta, que é ele que manda, give me a break. A mãe sou eu, a responsabilidade é minha e se alguém tem de ser capaz, tem de querer, tem de fazer por isso, infelizmente terei de ser sempre eu, por muito pouco que me apeteça.
Os bebés são pessoas pequenas, mas quase totalmente indefesas e inconscientes, que não só merecem o nosso respeito (e ninguém quer faltar ao respeito a uma pessoa fazendo deliberadamente algo que sabe que a pode prejudicar para nosso próprio prazer), mas sobretudo precisam da nossa ajuda para viver desde o primeiro dia e quanto mais pequenos são, mais ajuda precisam. E ninguém nasce a saber dormir, muito pelo contrário! Somos nós que temos de os ensinar e é uma lição que leva muito tempo a aprender. Concordo com quem diz que quem se lembrou da expressão "dorme como um bebé" seguramente nunca teve um filho, porque os bebés dormem mal e cabe a nós ensiná-los a dormir bem, desde o primeiro dia.
O Pedro passou o primeiro mês a dormir, era só pousá-lo no bercinho e vê-lo fechar os olhos, acariciando a testa. Assim que passou o primeiro mês, acordou para a vida e começou a ser muito mais difícil mantê-lo a dormir de dia mais de meia hora seguida e muitas, tantas vezes, adomecê-lo. Não foi fácil, de cada vez que me lembro, fico logo cansada...

Mas essas aventuras têm de ficar para outra altura, ainda não tenho pachorra para encarar as contas desse rosário...

16 comentários:

Princesa disse...

Li a mesma "cartilha" que tu. Custa-me não deixar a minha filha dormir nos meus braço, mas sei que é melhor assim. Aos olhos dos meus sogros, sou uma cabra insensível... É assim a "sociedade".
A propósito, nunca te cheguei a dizer mas foi por ver no teu blogue o livro da Tracy que me decidi a comprar e a devorá-lo de uma ponta à outra... Obrigada por essa "maravilha"!

Beijinhos

Maria de Lurdes disse...

Fico muito contente que te tenha ajudado, eu policio-me um bocado, porque pareço obsessiva, mas a verdade é que a Tracy Hogg é daquelas coisas que só apetece andar a dizer a toda a gente TENS DE LER TENS DE LER!

Sim, o olhar reprovador de quem eu acho que está errado, mas julga que a errada sou eu também dá cabo de mim. Se as pessoas não adoptam o mesmo comportamento que eu, ok, é com elas, eu não julgo, mas não critiquem o meu comportamento, poupem-me...

Espero que continue tudo a correr sobre rodas, beijinhos!

MissBlueEyes disse...

Eu sou daqueles que não concorda nada com isso, mas cada um faz aquilo que acha que é melhor. Se comento quando alguém próximo faz isso, comento em casa com o meu marido. Porque honestamente não concordo nada. Mas eu não sou ninguém, sou apenas a Mãe do S., que tenta fazer o melhor e que erra, mas a vida é mesmo assim. Agora vou contrariar um bocadinho o post.

Eu sou daquelas Mães que andava com o S. ao colo o tempo todo. Se paguei por isso, paguei! Eu não consegui fazer nada em casa quando estava sozinha com ele. Se me arrependo, talvez um bocadinho, ou até não. Nem sei... Fiz o que o meu coração mandava.

Eu fui operada a dia 11-11-2011, estive internada 3 dias, estive dias sem o adormecer, e quando chego a casa o habito era bem diferente do meu. Eu depois de chegar do trabalho brinco com ele, dou-lhe banho, brinco com ele, janta e ía para o meu colinho ver umas músicas do BabyTv muito calminhas, acabava por adormecer e colocava-o no berço por volta das 20h. Bastaram 3 dias para o papá mudar o meu hábito, faz o que fazíamos antes com a excepção do adormecer, no fim de jantar deita-o na caminha dele e fica lá até adormecer. Por isso eu não ligo muito as regras. Dei muito colo sim, dou muito mimo sim, mas tb já lhe dei uma palmada na fralda, também lhe falo com cara séria e aumento a voz muitas vezes, porque ele é muito traquina.

Eu sou da teoria se não dermos colinho agora quando vamos dar?! É apenas a minha opinião

Su disse...

Sabes que eu também sempre tive essa atitude e por isso é que sempre que vem cá alguém jantar ficam espantados por ele ficar no quarto dele e adormecer sozinho sem choro nem birra. Está habituado pois claro. Quando ele era mesmo muito pequenino e enquanto a fase das cólicas não passavam eu dei muito colinho, mas passada essa fase menos boa passei a ter uma atitude correcta em questões de sono. E hoje estou mesmo muito feliz por ter conseguido. São hábitos saudáveis que só podem trazer consequências boas :)

Não é por isso que não amamos mais nem menos os nossos filhos... aliás nunca o habituei a dormir no nosso meio pois seria outro grande erro com consequências más para todos ;)

beijinhos ML

Maria de Lurdes disse...

MissBlueEyes, é verdade, os bebés adaptam-se melhor do que se possa imaginar, tudo pode ser mudado, pode ser mais difícil com uns que com outros, mas todos podem mudar! Se uma forma não assenta bem, muda-se, não há que desistir.

Eu também dei, continuo a dar e sempre darei muito mimo e muito colinho ao Pedro, mas para mim colo e mimo não rimam com maus hábitos e para mim adormecer ao colo e dormir ao colo são maus hábitos.

Espero que estejas totalmente restabelecida e cheia de força, beijinhos

Maria de Lurdes disse...

Su, fico contente por vocês e às vezes também temos de explicar a quem vem cá jantar que sim, há muito tempo que deitar o Pedro é deitá-lo, e ele adormece sozinho, só temos de ir ao quarto se manda a chupeta borda fora durante as suas ronhices até dormir. Sem chupeta nada feito!

Bem, dormir connosco nem sequer seria uma possibilidade, nem pensar, por todos os motivos e mais alguns...
Beijinhos

triss disse...

Olá Maria de Lurdes,

Por sugestão tua comprei a tracy hogg na amazon, e só tenho pena de à noite estar tão cansada senão já tinha acabado o livro!
Estou de acordo contigo, muito mimo e colo sim, mas é nossa responsabilidade dotarmos os nossos filhos das "ferramentas" para que eles se sintam seguros e sejam felizes. E uma dessas ferramentas é o adormecer sozinho:-)

Elix disse...

Tal e qual, penso exactamente como tu. Acho que não é por isso que gostamos mais ou menos dos nossos filhos, educar é amor e para mim isso que fazemos é uma forma de educar e de amar, é bom para nós e para eles. A minha priencesa tem 8 meses e desde que nasceu que faço isso, é verdade que há dias mais dificeis, como quando está doentinha, mas tudo se resolve e tudo volta á rotina que é o que eles precisam e gostam. Beijinho

Duchess disse...

Eu acho que tens razão mas acho essencialmente que cada bebé é um bebé diferente, tal como os adultos não são todos iguais e não se adaptam a tudo e qualquer coisa. À partida um bebé é uma tábua rasa mas se assim fosse não vinha nos livros de psicologia do desenvolvimento que há bebés de temperamento fácil e de temperamento difícil.

Eu gosto muito dessa senhora mas também gosto muito do Carlos Gonzalez que diz precisamente o contrário. Então como fazer? Fazer como achar melhor, adaptar o que lemos à nossa maneira de ser, à nossa personalidade e, claro, à personalidade dos nossos filhos.

sof* disse...

por acaso acho que a leonor só adormeceu no meu colo uma vez. dava-lhe colo e acho que cada vez lhe dou mais, e cada vez ela me foge mais :DDD mas adormecer ao colo sempre tive medo dela ficar dependente disso. creio que o facto dela ter nascido no verão também simplificou essa tarefa, visto que estava sempre encalorada e gostava era de estar toda esticada na cama à fresca :)

Anônimo disse...

Oi.
Cá em casa o piolho levou com a baby whisperer desde as 6 semanas. Ou entrava no EASY ou entregava-o ao circo! Claro que toda a gente olha para mim e acha que eu sou louca quando explico que ele tem regras, que o acordo à hora certa, que tem as suas rotinas, hora para as sestas, rituais para dormir e, basicamente, que isto cá em casa não é a feira da ladra... e toda a gente franze o sobrolho e pensa que nós somos esquisitos. Claro que depois a conversa passa e 5 minutos depois toda a gente diz que não percebe como é que o nosso bebé é tão calmo, tão tranquilo, sempre cheio de paz embora não pare quieto e eu só me pergunto - será assim tão difícil de perceber?! será que ninguém faz o link?! bebé educadinho, bebé sossegadinho...
Às vezes também acho que sou um bocadinho obsessiva mas isso vai passando, agora flexibilizo muito mais (desde que acabei a licença que deixei de apontar tudo...) O EASY dele começa às 8 e às vezes deixamo-lo drmir, vá lá, até às 8h30, somos uns doidos! E nos dias da piscina alteramos o EASY para podermos encaixar tudo no horário e ele dorme até às 9h30 e corre lindamente.

Beijos, beijos.
gata almiscarada.

Maria de Lurdes disse...

Gata Almiscarada, same here! Exactamente. Nós agora nem nos preocupamos com as horas, curiosamente o Pedro passa do horário creche para o esquema casa com muita facilidade, desde que siga o EASY e se respeite o número e duração das sestas, tudo bem.

Duchess, curioso faleres em temperamentos fácil e difícil. Uma das coiss boas da Tracy Hogg é que ela individualiza 5 temperamentos generaliados e abstratos de bebés( Angel", "Textbook", "Touchy", "Spirited" ou "Grumpy") , que se podem interligar e aos quais se deve adaptar a forma de educar, lidar, introduzir e manter as rotinas, porque cada bebé reage de forma diferente a um mesmo estímulo ou acção.
Aqui ficam duas críticas bastante objectivas ao livro, pode ser interessante a sua leitura,

http://www.storknet.com/bookshelf/babywhisperer.htm

Simplesmente Ana disse...

A mesma coisa se passou por cá. A minha filha adormecia sempre na alcofa. Preferia que demorasse mais tempo a adormecer do que a criar maus hábitos. Ainda assim, deixa que te diga, passou por uma fase em que queria colo para dormir... Mas já lhe dei a volta!

Mãe Feliz disse...

Olá Maria de Lurdes,

Apesar de não conhecer o livro da Tracy, concordo com o que dizes. É importante que desde cedo se estabeleçam rotinas e hábitos para os nosso bebés saberem o que lhes espera- isso dá-lhes confiança e segurança. Com o meu filho o dormir não é problema e tanto adormece no colo como na caminha, sinto que há fases que prefere ficar no meu colo (no romper dos dentes, p.ex), mas também tem outras que prefere ir para a caminha dele... O mais importante de tudo é que cada mãe se sinta bem com as escolhas/decisões que toma, independente do que os outros acham ou fazem. Encontramos sempre quem nos olhe de lado ou nos ache esquesita independentemente do que nós fazemos, por isso mais vale ficar de consciencia e coração tranquilo...
Bjinhos

Anônimo disse...

Eu dei o máximo de colo que o tempo e o peso deles permitiu! E foi tão bom porque esse tempo passa tão depressa!!!!

Filomena - Faro

Mary of Cold disse...

Engraçado, tenho exactamente a mesma visão da situação que tu. :)
Sempre fui uma pessoa muito regrada e, talvez por isso, tentei impor algumas rotinas ao meu filho desde pequeno. Os horários do banho, das refeições, o adormecer à noite sozinho na cama, tudo começou desde muito pequeno, mas só depois de passadas as malditas cólicas porque aí valia tudo para o conseguir aliviar. Ainda hoje considero que tive alguma sorte à mistura mas a verdade é que aos 3 meses o meu filho já dormia 7h seguidas e hoje, com 17 meses, chega a dormir 13h. É verdade que ele nunca foi uma criança que gostasse muito de colo, mas também nunca foi muito habituado a isso. E não acho que lhe dei menos mimo por isso. Estar com ele sempre que posso, brincar com ele e dar-lhe atenção também é uma forma de o mimar.
Não me considero propriamente uma mãe "nazi" mas como tenho amigas que passam horrores para adormecer os filhos (meses e anos a fio) sou muito pouco flexível em relação a este assunto. Ainda hoje, se o meu filho se lembra de fazer uma birra e só quer estar ao colo para adormecer a solução acaba por ser deixá-lo a chorar não mais de 3-4 minutos (eu conto-os, isto custa-me horrores) e ele acaba sempre por adormecer. É que 11kg ao colo têm feito estragos irreversíveis aos meus braços e à minha coluna. Claro que quando ele está doente nada disto se aplica (não sou maluca). :)
Mas concordo com quem disse que as crianças são todas diferentes e nem todas "aceitam" estas regras com a mesma facilidade. Cada caso é um caso e só os pais são capazes de decidir as estratégias a adoptar.

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