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quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Os outros e os nossos



Há mais de um ano, ainda o Pedro era bebé, a Pipoca Mias Doce escreveu um post sobre uma criancinha que fazia birra na rua e a dúvida se devia ou não, se teria ou não o direito de chamar a atenção do miúdo e meter-se na birra, e quanto a mesma a aborrecia. Lembro-me de ler comentários muito irados, de mães que ameaçavam com mundos e fundos "Ai de alguém que ouse dar ordens ao meu filho, dar raspanetes ao meu filho!"
Na altura estava em cima do muro. Enquanto não tive filhos, não via problema nenhum em terceiros dizerem alguma coisa a crianças a fazer birra, via-o como uma ajuda aos pais e bem dentro daquela filosofia que eu apoio do "it takes a village to raise a child", no sentido em que todos os adultos à volta de uma criança são uma autoridade na vida dela e devem ser respeitados e ouvidos como tal, podendo dar a sua achega para ajudar a criança. Avós, tios, professores, vizinhos, até estranhos, com todos eles as crianças têm algo a aprender e a todos eles deve ouvir e respeitar.

Perante aquela situação descrita pela Pipoca fiquei dividida, Se por um lado tinha essa filosofia, por outro, já tinha o meu próprio filho e não sabia se na prática ia gostar de ver alguém a meter-se com ele e a interferir na minha educação e disciplina. Além disso, pensei que há intervenções e intervenções, se fosse no intuito de ajudar a mim, falando de forma não agressiva, na mesma postura que a minha e concordando comigo seria uma coisa; se fosse a espingardar com o meu filho, de forma agressiva ou entrando em confronto comigo, ou criticando a mim e ao puto, seria algo bem diferente. Além disso, se a intervenção de um terceiro surtisse o efeito desejado - acabar com a birra - seria bem vinda; mas se o miúdo ficasse ainda pior, claro que pior a emenda que o soneto.
E na verdade pensava que esse efeito contrário, de pôr o miúdo ainda pior, fosse uma grande probabilidade, que o mais provável seria ele chorar ainda mais e ser tudo pior. Daí já não saber se a intervenção de terceiros ad hoc seria uma boa ideia.

Pois que nestes últimos dias tenho tirado as dúvidas quanto a isso.

Por duas vezes o Pedro estava sentado no passeio a fazer uma cena antes de vir para casa e chamou a atenção de terceiros.
Numa vez, a nossa vizinha passou por ele e chamou a atenção, que tinha de ir, que a mãe estava a chamar. Isso enquanto me piscava o olho sorrateira. Eu apanhei logo a deixa e disse que tinha de vir, "vês, até a senhora está a dizer que sim, tem de ser, vá"! E ele levantou-se desconfiado e surpreso e andou, sem mais choraminguisse.
Ainda neste Domingo, nova cena. Estava o Pedro nos mesmos preparos, quando passou por ele um varredor da rua. Passou por ele disse-lhe que ele tinha de ir, "...então ia ficar no meio da rua"?? O senhor lá seguiu e o Pedro continuou na dele e eu na minha "Anda Pedro, vamos embora..." O senhor passa de volta com um contentor do lixo. Parou, olhou para ele muito sério e mandou-lhe um "Olha, se tu não fores ter com a tua mãe vou ter que te pôr no lixo", enquanto levantava a tampa do contentor. E o Pedro? O puto percebeu tão bem a deixa que se pôs de pé num salto e veio logo a correr.

O meu filho foi ameaçado por um estranho de ir parar ao caixote do lixo.

E eu não podia ter ficado mais agradecida!

Dúvidas tiradas. Quando o miúdo está a fazer uma cena na rua, se a intervenção de terceiro inocente for adequada, proporcional e eficaz, eu agradeço imenso! E a reação dele tende mesmo a ser a de acatar a ordem da mãe que é corroborada por um estranho. Ele como que cai em si, ou fica embaraçado pelo seu comportamento, apercebe-se que ninguém vai na cena dele, nem nós pais, nem estranhos incautos. Ninguém vai na conversa dele, mais vale desistir.

Senhores estranhos que nos vejam na rua a armar uma cena daquelas: Sintam-se à vontade para intervir, ameacem do caixote do lixo para cima, a gerência agradece!

20 comentários:

Life is what it is disse...

Nao retirava uma virgula do que disseste!
Eu nunca me fez confussao que chamassem a atençao da minha quando faz birra, desde que nao seja com brutalidade claro.
A verdade é que tal como o teu Pedro a minha tambem fazia logo o que eu pedia, talvez por vergonha, talvez por ver que nao ganhava a dela...

Ontem dei-lhe os parabens pela menina valente que tinha sido, deixou que lhe fizessem analises ao sangue, sem berreiro.
O enfermeiro foi sozinho com ela para fazer as analises, se ao inicio pensei "tambem quero ir para noa a deixar sozinha" quando tudo terminou tive certeza de uma coisa, se eu la estivesse ela faria um berreiro de deitar o hospital ao chao.
Perguntei-lhe como tinha corrido e dei-lhe um visto de menina grande que se tinha portado muito bem.
Acho que eles com pessoas de fora ficam diferentes... pelo menos a minha é por vergonha, de que a chamem de bebe!

E o comentario ja vai longo lol

beijinhos!!

Life is what it is disse...

Este e apenas para receber as respostas no meu mail ;)
beijinhos

mae.feliz disse...

Ahahah...acho que não vai haver birras nos próximos anos...enquanto se lembrar que pode ir parar ao caixote do lixo!

Joana | Creme Pimenta disse...

Parece-me que, tendo em conta as situações concretas que relatas, as intervenções de terceiros são realmente bem-vindas e oportunas porque têm tom de brincadeira, mas resultam. Aliás eu própria já usei a técnica do "vês até a senhora disse que temos de ir...", quando vejo que tenho por perto alguém que pode alinhar...
Eu aceito, desde que seja para ajudar e não para criticar e/ou repreender...nestas alturas irritadas já estamos nós não é verdade???

cremepimenta.blogspot.pt

Rita disse...

Nunca tinha pensado nisso... Mas também tenho tido sorte com as birras públicas!

ML-As Maravilhas da Maternidade disse...

Hahaha, temo entretanto que já tenha esquecido o caixote ... pena!!

Elix disse...

Concordo contigo em tudo!!! Se for para ajudar, todos os comentários são bem vindo!

Gi disse...

Não tanto em relação a birras (não fico nada ofendida se, na rua, com ela a chorar alguém diz "com os olhos tão lindos e a fazer figuras tão feias", por exemplo) mas, no fim-de-semana passado, tive de chamar a atenção a uma menina de 8 anos que, por duas vezes, atirou a minha filha (18 meses) para o chão de cima de um baloiço. Ao primeiro empurrão não disse nada, olhei à volta e ninguém reagiu. Ao segundo empurrão a minha filha foi ao chão e, naturalmente, ficou a olhar para mim com o ar mais triste do mundo e a chorar. Tive de reagir. Fui ao pé da miuda e disse "olha, ela é um bebé e não te quero ver empurrá-la de novo porque o baloiço é de todos, ouviste?". Só aí a mãe da menina reagiu e lá acabou por obrigar a filha a pedir desculpa à minha. Mas não me senti nada bem a fazer aquilo, a educar o filho dos outros.

ML-As Maravilhas da Maternidade disse...

Gi,

Concordo plenamente!
É muito chato termos de chamar a atenção ou mesmo ralhar com um miúdo mais velho que está a portar-se mal com os mais novos, nossos ou não, mas se ele não tem quem o corrija no momento, não nos resta outra alternativa! O pior é deixarmos estar!

Eu detesto fazê-lo, não só porque me enerva muito um miúdo mal criado e bruto e eu não quero estar na posição de chamar a atenção a um miúdo assim, mas porque tenho sempre medo que atrás dele venha um adulto mal educado e bruto! Aí a coisa pode descambar e é ainda pior...

vidasdanossavida disse...

É verdade porque às vezes desbloqueia-os e chama-lhes a atenção para outra coisa o que faz com que esquecem a birra. Mas, tal como quase tudo nestas questões da parentalidade, não há regras e ninguém quer uma pessoa pespineta a dar ordens ao nosso filho.

batata-frita-mãe disse...

As situações que descreveste não deixam de ser fofinhas, porque não são ofensivas e indirectamente até acabaram por ajudar.
Este Verão aconteceu-me uma cena muito desagradável. Viajamos os 3 (eu, pai e filho) de avião. O nosso filho estava excitadíssimo e, por mais que o chamássemos à atenção, ele falava em alto e bom som. Do género, o avião todo sabia que ele estava lá, ok?
Nisto, uma senhora ficou muito irritada, 1º porque um bebé mais atrás não parava de chorar por causa da subida do avião (um bebé de meses...). Ela olhava irada para trás, à espera que o bebé se calasse por magia. Depois, igualmente irada pelo volume da voz do meu, solta um "CHIIIIIIIIUUUU!!!".
Digamos que quem se passou verdadeiramente a seguir fui eu. Não vou entrar em pormenores, obviamente não entrei em contacto físico com ela, mas achei uma má educação e falta de compreensão incríveis.
É muito bonito abanar a cabeça e recriminar os outros, mas honestamente não ajuda em nada meter o bedelho, se é para criticar ou piorar a situação.

MissBlueEyes disse...

Eu tb sou das que agradece! Os putos a nós não nos ligam, já a estranhos.. metem o rabinho entre as pernas e obdecem. Já houve situações em que se meteram e eu sorri. Muitas vezes sou a primeira a dizer, estas a ver a senhora a olhar para ti? E ele lá sossega, por isso por estes lados também agradeço! lol

Raquel disse...

Abordagens oportunas são sim bem-vindas, mas Já me aconteceu foi estar ás compras, o meu filho fazer uma birra terrível pq queria estar no colo.
Uma Senhora passa por nós e diz "ah, se calhar o menino só quer a xuxinha ou um miminho..." Pois, a Senhora antes de falar não reparou que tentamos por diversas dar-lhe a xuxa e distraí-lo com outra coisa... deve ter pensado "pais novos... n sabem nada!"
Aconteceu outra, uma Senhora achou que nós não estávamos a dar bem a sopa ao bebé e decidiu meter-se... mal sabia ela q era apenas a 2ª vez que ele comia sopinha e aquilo nos 1ºs tempos foi dificil...

Marta disse...

As intervenções que descreves são positivas e com o intuito de ajudar a mãe. Esse tipo de ajuda externa qualquer mãe agradece.
Mas depois há as outras, as criticas, as incómodas e mal intencionadas. As que bos julgam como pais e as que são rudes com as crianças. Essas dão vontade de pedir à criança que aumente o volume!
Há ainda as irritantes (mais com bebés) do tipo “está com fome!“, “de certeza que quer colo“, “se calhar tem a fralda suja“, etc, sempre coisas que os pais nunca se lembrariam de verificar.

Bi disse...

Eu acho que vou opinar quando passar por uma situação dessas!! Tudo o que toca aos nossos filhos, eu falo por mim mas acho que não só, por muito que tenhamos uma opinão acerca de determinado assunto, quando nos bate à parte é comum dizer, "ah, afinal..."!

Ainda me mantenho imparcial! Mas compreendo perfeitamente ambas as opiniões!

Beijinhos

Simplesmente Ana disse...

Se a intervenção for positiva/compinhcha e não numa de apontar o dedo ao meu papel de mãe, por mim tudo bem.

Cat disse...

Pois se forem assim também acho optimo já há intervenções que me deixam doente do género: "se fosse meu filho levada duas palmadas que se acabava já a fita..." e outras que tais (que não fazem mais do que julgar os pais) que nunca me aconteceram mas às quais já assisti.

Marianne disse...

Como sabes, tenho dois filhos. E, a não ser que me seja expressamente pedido, não opino durante birras dos filhos dos outros. Não intervenho, não me meto. E de igual modo não gosto que se metam nas birras dos meus. Essa do caixote do lixo, por exemplo, era coisa para me deixar doente. Não quero educar os meus filhos pelo medo (nem do caixote do lixo, nem do polícia, nem do papão), portanto era bem capaz de me passar e de responder torto ao senhor. Acredito nas boas intenções das pessoas mas, se não nos conhecem, nem ao nossos filhos, acho simplesmente que não têm informação suficiente para intervir. Tolero ainda menos bitaites de pessoas que não têm filhos e que, portanto, ainda não viveram na pele nenhuma birra ou momento menos bom.

Se calhar sou eu que tenho mau feitio, mas acho que há coisas que cabem apenas aos pais (ou a quem lida diariamente e conhece bem as crianças).

Raquel disse...

Já estou como a Bi, para já também me mantenho imparcial. As birr(inh)as têm sido em casa!
Concordo que os exemplos que deste foram uma grande ajuda mas "morro de medo" que um estranho, na melhor das intenções, diga que se o João não parar com a birra vem o "homem do saco" ou o "velho da Longa Vida" (o dos reclames de iogurtes de há uns anos valentes!) e que o leva! Acho que não há pior que uma criança que viva rodeada de medos que lhe impõem! Já basta os medos naturais que elas próprias irão desenvolver!
Beijinhos

MarianaS disse...

Foram situações prosaicas em que apenas interveio o bom senso na pessoa de um estranho a agir de forma natural. Nao têm como nao ser atitudes inofensivas, para mais se cumprem o objectivo. Discordo da Marianne.

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